Dois irmãos, em tratamento de diálise, receberam transplante de rins de uma mesma doadora em Goiás, fato considerado raro na medicina.

O que aconteceu
Irmãos aguardavam na lista para transplante de rim. Por complicações da diabetes, os dois homens, 59 e 57 anos, naturais de Porangatu (GO), perderam a função renal.

Telefonema mudou a vida da família de sete irmãos. Os irmãos estavam em terceiro e quinto lugar na fila de transplantes. O primeiro rim seria destinado ao paciente mais bem posicionado, e a equipe descobriu que o próximo compatível na lista também era irmão dele.

“Foi um choque total para nós dois. A gente fica meio paralisado na hora, porque tem muita gente que espera há muito mais tempo”, contou Aldemar Barros, 59, um dos irmãos. Ele fazia diálise há quatro anos, enquanto o irmão, de 57, estava na fila há um.

É necessário compatibilidade sanguínea e semelhança genética (HLA) para transplante. Ao UOL, o urologista Rodrigo Lima, responsável pela cirurgia e membro de uma das equipes do Serviço de Transplante Renal do hospital, informou que o fato dos dois doadores serem irmãos não tornariam, automaticamente, ambos compatíveis.

” Todos nós temos como se fosse ‘um código de barras’. No caso foi a posição da fila que eles estavam. O primeiro paciente teve uma intercorrência e os outros dois pacientes estavam com incompatibilidade. Foi uma coincidência.”
– Rodrigo Lima, médico

Hospital da rede pública realiza primeiro transplante de rins para irmãos no estado. A cirurgia rara aconteceu no Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi, referência em transplantes renais, e foi realizada na última sexta-feira (17). Neste ano, outros 127 transplantes renais foram realizados na instituição.

Os rins transplantados nos irmãos vieram de outro estado. Segundo Lima, “o estado do doador não realiza transplantes de órgãos. Nesse caso, os órgãos foram encaminhados à Central Nacional de Transplantes, que identifica os pacientes mais compatíveis – e, dessa vez, eram dois de Goiás. Os rins fizeram esse deslocamento para cá com a ajude de voo comercial, mas muitas vezes as empresas de aviação e a própria Força Aérea Brasileira ajudam a gente também nesse deslocamento de órgão pra facilitar esse tempo”, esclareceu o médico.

Diversos fatores interferem na posição para receber doação de órgãos. A fila, regulada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), considera a compatibilidade, idade, doenças associadas e grau de urgência.

Previsão é de alta da UTI para irmãos. De acordo com o médico, ambos os pacientes passam bem, com exames dentro da normalidade e estimativa de alta da UTI entre hoje e quarta (22).

Ao todo, 2.458 pessoas aguardam na fila para transplante em Goiás. Conforme dados da Central Estadual de Transplantes, destas, 686 aguardam transplantes renais, 12 de fígado, três de pâncreas e dois pâncreas/rim.

Goiás é o 10º estado que mais faz transplantes renais no país. Informação é fruto do levantamento do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), publicado em setembro de 2023 pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). O diabetes hoje é a principal doença que pode levar a insuficiência renal crônica dialítica.